sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

don't look back in anger: 2010

Foi, basicamente, o melhor e o pior ano da minha vida. Começou mal, comigo entediada  - quase a dormir - e vai acabar de uma maneira que nem eu sei. Muitas coisas aconteceram pelo meio. Muitas amizades novas, muitas velhas que foram consolidadas, algumas que ficaram pelo caminho. Deixei o meu Porto e mudei-me para Coimbra assim numa atitude que ainda não sei se me arrependo, mas provavelmente não. Se não fosse isso, muitas coisas não teriam sido da maneira que foram. E se por um lado gostava de mudar as asneiras que fiz, sinto-me contente por ter chegado aqui. Foi um ano atípico, nunca sorri tanto, nunca me senti tão feliz e, no entanto, nunca chorei tanto e me senti tão miserável. Mudei imenso, cresci imenso e sinto-me uma pessoa completamente diferente daquela que começou o ano. 

Muitos festivais, muitos concertos (PEARL JAM, PEARL JAM, PEARL JAM!), muita música, muito cinema, muito tudo. Noites em branco, cafés e redbull pela manhã, muitas mensagens, muitos telefonemas. Muitos cigarros, alguma bebida, muito jack daniel's. Muitas dores de cabeça, muitas alegrias sem razão aparente. Muitas discussões, muitos ataques de criança mimada, muitos porque-raio-é-que-fiz-isto? horas depois. Muitas horas a apanhar sol na banheira, muitas aulas de alemão passadas a ler revistas e a rir, muitas idas ao shopping - sobretudo aquelas em que devíamos estar em exame -, muitas tardes a estudar em que acontecia tudo menos isso. Muitas saudades de algumas amizades, essencialmente. 

Sinto-me um bocado confusa por o ano estar a chegar ao fim. Parece que ainda não aconteceu tudo o que tinha para acontecer e também tenho um bocado de pena de o ver partir, mas, melhores coisas poderão vir. É nisso que acredito.


My soul slides away
"But don't look back in anger!"
I heard you say

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

daqueles que nunca se esquecem iv


E mil anos depois volto a falar de um álbum que nunca se esquece. Este é o Go do Jónsi, o vocalista/guitarrista dos Sigur Rós. É relativamente recente, é de Abril deste ano - saiu um dia antes de eu fazer anos! -, e é sem dúvida o meu favorito dos que saíram neste ano que está agora a acabar. É muito... mágico. Tornado é qualquer coisa de espectacular. Sou capaz de passar horas e horas a ouvir essa música sem me cansar. Todo o álbum carrega uma melancolia imensa, que tanto me faz ficar triste como feliz, dependendo da maneira como estou quando o ouço, o que é bom. E ainda espero o milagre que é ver um concerto dele numa sala fechada.

Nota: Estou agora a ouvir o Go Live que também é qualquer coisa de fantástico.

The Space in Between- How To Destroy Angels (aka sou desocupada aka estou a fingir que não tenho de estudar)


1. Liga o iTunes, Windows Media Player, etc. em modo aleatório.
2. Para cada pergunta, carrega no botão para a música seguinte.
3. Deves escrever o nome da música mesmo que seja a mais pirosa de todos os tempos!

Se alguém te perguntar "como estás" o que respondes?
Little Jammy Thing - Sonic Youth
Como te descreves a ti próprio?
Everything Must Go - Manic Street Preachers
O que te agrada mais num rapaz/rapariga?
Don't Thing Twice, It's All Right - Bob Dylan
Como te sentes hoje?
Cheating on You - Franz Ferdinand
Qual é o propósito da tua existência?
Psychic Heart - Thurston Moore
Qual o teu lema de vida?
Ezy Ryder - Jimi Hendrix
O que os teus amigos pensam de ti?
Tight Connection to my Heart - Bob Dylan
O que os teus pais pensam de ti?
Society is a Hole - Sonic Youth
No que pensas muito frequentemente?
Jackie Collins Existential Question Time - Manic Street Preachers
Quanto é 2+2?
Back in Black - AC/DC
O que queres ser quando cresceres?
Tiki - Sigur Rós
O que pensas quando vês a pessoa de quem gostas?
I Will Stay But You Should Leave - Skunk Anansie
Que música vais dançar no teu casamento?
Cherub Rock - The Smashing Pumpkins
O que vai tocar no teu funeral?
A Saucerful of Secrets - Pink Floyd
Qual é o teu pensamento?
Jungleland - Bruce Springsteen
Qual o teu maior medo?
Elephant - Damien Rice
Qual o teu maior segredo?
Run - New Order
O que queres neste momento?
I'm Your Man - Leonard Cohen
O que pensas dos teus amigos?
All The Same - Sick Puppies
Com que nome vais postar esta nota?
The Space in Between - How To Destroy Angels

domingo, 26 de dezembro de 2010

Poema

Projecto

Desta vez vou escrever-te um poema que vai ser 
um poema de amor, mas que não é apenas um poema de amor. O 
amor, com efeito, é algo que não cabe num poema; pelo contrário, 
o poema é que pode caber no amor, sobretudo quando te abraço, e 
sinto os teus cabelos na boca, agora que a tua voz me corre pelos 
ouvidos como, num dia de verão, a água fresca corre pela 
garganta. A isto, em retórica, chama-se uma comparação; e pergunto 
o que é que o amor tem a ver com a retórica, ou por que é 
que o teu corpo se teme de transformar numa metáfora - rosa, 
lírio, taça, qualquer objecto que tenha, na sua essência, um 
elemento que me possa levar até ele, como se fosse preciso, para te tocar, 
substituir-te por uma outra imagem, ver em ti o que não és, 
nem tens de ser, ou ainda transformar-te num lugar comum, que 
é aquilo em que, quase sempre, acabam os poemas de amor. Assim, 
este poema de amor é, mais do que um poema de amor, um 
exercício para escrever um poema de amor - mas um poema de amor 
a sério, sem comparações nem metáforas, só contigo, com o 
teu corpo, com a tua voz, com os teus cabelos, com aquilo que é 
real, e não precisa de sair da realidade para se tornar objecto de 
um poema de amor em que o amor, finalmente, deixa de ser 
o objecto único do poema, que se preocupa acima de tudo com 
a retórica, as imagens, o equilíbrio das formas. Mas, pergunto, não 
é o teu corpo uma flor? Não é a tua boca uma rosa? Não são lírios os teus 
seios? Tudo, então, se transforma: e o que tenho nas mãos é uma imagem, 
a pura metáfora da vida, a abstracta metamorfose das emoções. O 
resto, meu amor, é tu - e é por isso que o poema de amor que te 
escrevo não é, finalmente, um poema de amor. 


Nuno Júdice 

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

os melhores de 2010: concertos

Ora bem, entre concertos de sala e festivais em 2010 eu assisti a mais de 75 concertos, o que para quem tinha assistido a dois no anterior... 
De qualquer maneira, aqui fica o meu top.


10
Guns n' Roses
Pavilhão Atlântico (6.Out)
As condições foram péssimas, o som estava o terror. Mas o concerto em si? Muito bom. Não era Guns n' Roses propriamente dito, mas superou as minhas baixas expectativas. (e vamos ainda referir que levei de bónus uma cover de AC/DC e outra de Pink Floyd).

9
The xx
Alive!10 (8.Jul)
O problema deste concerto foi só eu não o ter visto na sua totalidade e de não ter realmente visto grande coisa. A tenda foi demasiado pequena para uma banda como eles e lamento imenso ter achado que 30€ era um grande exagero para os ver na Casa da Música (ainda por cima era na sala dois!). Deve ter sido mágico, mas, de qualquer maneira, já o foi numa tenda a abarrotar em que para os ver tinha de andar aos saltinhos (quem me manda a mim ser minúscula?).



8
Leonard Cohen
Pavilhão Atlântico (10.Set)
Tão lindo! Foi sem dúvida dos momentos mais mágicos da minha vida. O Leonard Cohen é um - grande - senhor.



7
Ben Harper and Relentless7
Marés Vivas (17.Jul)
Três horas de pura emoção. Não sabia bem o que ia sair daqui, mas saí de lá completamente aos saltinhos de felicidade. Foi mesmo muito lindo.



6
Skunk Anansie
Alive!10 (9.Jul)
A emoção. A garra. Os gritos. O suor. A nostalgia. Tudo isso foi Skunk.

5
Slash
Coliseu do Porto (23.Jun)
Eu juro que o concerto não está tão cá em cima por causa do Todd Kerns! Okay, talvez um pouco. Os meus níveis de fangirlismo nunca mais serão os mesmos depois de tudo o que o Todd fez e de ter visto aquele monstro que é o Slash a sorrir para mim e a me atirar a sua palheta. Toda a banda esteve incrível e o Myles fez um trabalho extraordinário com os vocais. Foi qualquer coisa mesmo.



4
Alice in Chains
Alive!10 (8.Jul)
Meu deus, meu deus, meu deus. Eu soltei um berro no meio do metro do porto assim que soube que eles foram confirmados e vieram-me as lágrimas assim que os vi ali à minha frente. Sim, não é a mesma coisa sem o Layne, como poderia ser? Mas continuam a ser eles, e a levarem tanto mas tanto sentimento. E ouvir todas aquelas músicas ao vivo foi dos momentos altos do meu ano. Voltem, estarei lá sempre, sempre, sempre.



3
Jónsi
Xacobeo (27.Ago)
Numa palavra: mágico. Passei aquela hora do concerto estupefacta a olhar para o palco como se estivesse a olhar para um filme da Disney ou outro conto encantado do género. Só conseguia sorrir feita parva e tenho a certeza que os meus olhos passaram aquela hora a brilhar.

2
Faith No More 
Alive!10 (8.Jul)
O que dizer do último concerto destes monstros em Portugal? Por onde começar? Pelo espectáculo que o Patton dá sozinho? (por dizer que o Cronaldo é o mais maior grande caralho português? <3) O Patton é genial, ponto. Aquele homem... Enfim. A maneira incrível como ele controla a voz dele deixa-me maluca, o crowd surfing ao meu lado então... Só em pensar que foi o último até me dói tudo. É um daqueles poucos concertos que eu já revi mais de meia dúzia de vezes. E que gostava de poder reviver. E de ter a We Care a Lot no final (foi uma grande falha, meninos!)



1
Pearl Jam 
Alive!10 (10.Jul)
O que eu esperei, ansiei, sonhei e o caralhinho a quatro com este concerto. E o ter ido a correr comprar o passe do Alive!10 quando eles foram confirmados e as horas para ficar na primeira fila e não ficar. E depois o calor, a sede, e estar morta, o estar mais.fodida.do.que.alguma.vez.pensava.ficar... Foi difícil aquele pré-concerto, mas assim que eles entraram em palco... Foi perfeito. Já achei menos perfeito que agora, já apontei muitos defeitos à setlist... Demasiadas baladas, poucas das músicas que queria mesmo ouvir (onde estava a porch, a state of love and trust, a rockin' in the free world, a rearviewmirror, a... i am mine? Mas enfim, depois de ouvir o bootleg vezes e vezes sem conta... Foi perfeito e não mudaria nada. E espero por muitas novas oportunidades para ouvir outras setlists. Obrigado só por existirem. 


Mensões Honrosas: Manic Street Preachers (Alive!10), LCD Soundsystem (Alive!10), Apocalyptica (Casa da Música), Linda Martini (Hard Club), Blood Red Shoes (Casa da Música), Arctic Monkeys e Mystery Jets (Coliseu do Porto), Crystal Castles (Queimódromo), Gogol Bordello (Alive!10), Mão Morta (vários lugares xD), Placebo (Marés Vivas), The Cult (Paredes de Coura), The Maccabbes (Alive!10), entre outros.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

considerações gerais sobre o curso de direito

Ora bem, agora que me aproximo do final do semestre, e, com isso, me aproximo dos exames, acho que já posso dar a minha opinião assim muito por alto deste poço onde me vim meter e do qual não vejo luz em lado nenhum.

Primeiro: onde é que eu tinha a cabeça? 
Seriously, quando me meti nisto não tinha a cabeça no lugar onde devia, ou então andava com ela na lua ou coisa do género, porque definitivamente eu não estava com as minhas funções plenas ao tomar esta decisão. É que claramente me faltam capacidades para um curso deste tipo, desde logo... coragem. Acreditem que é preciso coragem a dar com um pau para pegar nas adoráveis bíblias que me adornam a estante. E não só pegar nelas, lê-las. E não só lê-las, decorá-las... e por aí fora.

Segundo: o que raios é introdução ao direito?
Eu não sei e tenho que saber até dia 19 de Janeiro. E tenho um livro do Pinto Bronze para ler até lá (o homem fala de uma maneira... "Metodonomologia" wtf?) e fui a duas aulas teóricas e uma prática. Estou fodida? Estou sim senhor. Em minha defesa argumento que as aulas teóricas eram às oito da manhã e por mais cafés que tomasse a voz completamente monocórdica-oiçam-se-quiserem-ou-vão-se-foder me fazia, literalmente, dormir. O que é que eu estudei disto o semestre todo? That's right, zero.

Terceiro: como é que eu vou ler aquela merda toda de constitucional?
É assim, se eu atirar o meu livro à cabeça de alguém aquilo racha logo. É uma arma de arremesso que pesa quase três quilos e com umas 1600 páginas. LINDO.

Quarto: porque é que eu só estudo economia?
Não sei exactamente porquê, mas só me dá para estudar economia política e, de vez em quando, direito internacional. Mas economia é um amor, é sim. O problema vai ser quando for para meter na cabeça definitivamente as teorias de toda a gente. Isso é que já vai ser lixado, uma vez que a minha capacidade de decorar nunca foi muito bonita.

Quinto: como é que venho para um curso destes se eu nunca consegui marrar?
É, chego outra vez ao ponto um, eu não sei o que tinha na cabeça. Continuo a não saber e a achar que me vou foder à larga, que o meu pai me vai tirar a cabeça fora e que eu vou morrer no final deste ano. 

Estuda, minha filha, estuda, que só te faz bem.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

cenas que me estão no coração


I know there's no way I can convince you this is not one of their tricks, but I don't care, I am me. My name is Valerie, I don't think I'll live much longer and I wanted to tell someone about my life. This is the only autobiography ill ever write, and god, I'm writing it on toilet paper. I was born in Nottingham in 1985, I don't remember much of those early years, but I do remember the rain. My grandmother owned a farm in Tuttlebrook, and she use to tell me that god was in the rain. I passed my 11th lesson into girl's grammar; it was at school that I met my first girlfriend, her name was Sara. It was her wrists. They were beautiful. I thought we would love each other forever. I remember our teacher telling us that is was an adolescent phase people outgrew. Sara did, I didn't. In 2002 I fell in love with a girl named Christina. That year I came out to my parents. I couldn't have done it without Chris holding my hand. My father wouldn't look at me, he told me to go and never come back. My mother said nothing. But I had only told them the truth, was that so selfish? Our integrity sells for so little, but it is all we really have. It is the very last inch of us, but within that inch, we are free. I'd always known what I wanted to do with my life, and in 2015 I starred in my first film, "The Salt Flats". It was the most important role of my life, not because of my career, but because that was how I met Ruth. The first time we kissed, I knew I never wanted to kiss any other lips but hers again. We moved to a small flat in London together. She grew Scarlet Carsons for me in our window box, and our place always smelled of roses. Those were there best years of my life. But America's war grew worse, and worse. And eventually came to London. After that there were no roses anymore. Not for anyone. I remember how the meaning of words began to change. How unfamiliar words like collateral and rendition became frightening. While things like Norse Fire and The Articles of Allegiance became powerful, I remember how different became dangerous. I still don't understand it, why they hate us so much. They took Ruth while she was out buying food. I've never cried so hard in my life. It wasn't long till they came for me.It seems strange that my life should end in such a terrible place, but for three years, I had roses, and apologized to no one. I shall die here. Every inch of me shall perish. Every inch, but one. An Inch, it is small and it is fragile, but it is the only thing the world worth having. We must never lose it or give it away. We must never let them take it from us. I hope that whoever you are, you escape this place. I hope that the world turns and that things get better. But what I hope most of all is that you understand what I mean when I tell you that even though I do not know you, and even though I may never meet you, laugh with you, cry with you, or kiss you. I love you. With all my heart, I love you. - Valerie 
V for Vedetta 

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